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· 11 min de leitura

Como as empresas protegem os dados pessoais

Por Amine Gaaliche · rascunho escrito com Claude, revisto e editado à mão

As empresas protegem dados pessoais de quatro formas: governança, API na nuvem, ocultação terceirizada e trabalho manual. Cada uma responde a uma pergunta diferente. Por isso o jurídico, a TI e a advogada que tarjou um PDF ontem podem dizer “sim, protegemos” e falar de coisas diferentes.

Quatro perguntas, quatro estratégias

Cada estratégia nasceu para responder bem a uma destas perguntas:

  1. Quem responde pelo tratamento, e com que base legal?
  2. Onde estão os dados pessoais do acervo, e em que volume?
  3. Quem pode fazer a ocultação por mim, com prazo e em escala?
  4. Eu mesmo consigo conferir este documento antes que ele saia?

Os problemas começam quando se espera que uma estratégia responda também às outras três perguntas. O promptShield ocupa um desses espaços. A seguir, descrevemos cada categoria como ela própria se descreve.

O que a LGPD cobra e de quem

O art. 5º define o controlador (inciso VI), que decide sobre o tratamento, e o operador (inciso VII), que trata dados em nome dele. O art. 7º lista as bases legais. O art. 6º, X obriga o controlador a demonstrar que adotou medidas eficazes. A multa simples do art. 52 vai até 2% do faturamento no Brasil no último exercício, limitada a R$ 50 milhões por infração.

Para advogados, há ainda o sigilo profissional: o art. 34, VII da Lei nº 8.906/1994 e o art. 154 do Código Penal. Esse dever não passa para um fornecedor por contrato. Algumas estratégias produzem prova sobre a organização inteira, outras produzem estatísticas sobre um acervo, e só uma exige que uma pessoa identificada responda pelo resultado.

Governança: quem responde, e com que base

A governança não toca em documentos, e isso não é um defeito. Programa de adequação, inventário de dados, relatório de impacto, treinamento e nomeação do encarregado tratam de papéis e bases legais. As plataformas de gestão de privacidade organizam esse trabalho e produzem os registros que se apresentam à ANPD.

O limite é que ela não chega ao detalhe. Um programa pode proibir o envio de contratos a ferramentas públicas de IA, mas não sabe se o contrato que saiu na terça tinha um CPF na página 12.

API na nuvem: onde estão os dados, e em que volume

Os grandes provedores de nuvem oferecem serviços de DLP (prevenção de perda de dados) por API. O Google Cloud DLP se apresenta, em sua documentação, como um serviço para descobrir, classificar e desidentificar dados sensíveis em repositórios e em trânsito.

O ponto forte é o volume. Para saber em quais tabelas do ERP sobraram CPFs de clientes antigos, uma API dessas resolve em horas o que uma equipe levaria meses para fazer. O resultado se mede em taxas de acerto e de falsos positivos. O provedor atua como operador, e os dados passam pela infraestrutura dele.

Ocultação terceirizada: alguém faz por você

Empresas de revisão documental e de apoio a litígios recebem lotes de arquivos e devolvem os documentos tarjados num prazo combinado, com software e equipes treinadas. Isso serve quando o volume supera a capacidade da equipe interna, como num processo com milhares de páginas.

Você compra capacidade e prazo. Em contrapartida, os originais vão para um operador, o que exige contrato e confiança no controle de qualidade dele. A garantia costuma vir do processo, como amostragem e um índice de acerto acordado. Em muitos casos, isso basta.

Trabalho manual: a pessoa e a tarja

Alguém abre o arquivo, lê e cobre o que não pode sair. No fim, uma pessoa identificada responde pelo documento. Mas o trabalho é lento, e numa equipe que usa IA todos os dias alguém vai pular a etapa quando o prazo apertar.

Há também um erro comum. A tarja desenhada num editor de PDF esconde a palavra na tela, mas o texto continua por baixo, pronto para ser copiado.

A lacuna: o documento que alguém vai assinar

Com as quatro estratégias lado a lado, sobra um espaço vazio. Ele aparece quando há um documento específico, uma pessoa que vai responder por ele e pouco tempo para revisar cada página à mão. Por exemplo, o parecer que vai para um modelo de linguagem. Explicamos por que esse espaço se abriu com a IA generativa em outro artigo.

Nesse espaço, uma taxa não serve de resposta. Imagine um fornecedor que anuncie 99,5% de taxa de detecção. É um número típico de material comercial, e não é o nosso. Num contrato de quarenta páginas com seiscentos identificadores, isso significa que cerca de três escapam, e ninguém sabe quais. Quem assina precisa de uma garantia sobre este documento.

O papel do promptShield

Falta uma ferramenta que faça o grosso do trabalho de forma automática e deixe a última palavra com a pessoa. É esse o espaço que o promptShield ocupa. A detecção roda na máquina onde o arquivo já está. Padrões de alta precisão encontram CPF (11 dígitos), CNPJ (14), CEP (8) e dados bancários.

Um modelo de entidades encontra nomes, empresas e endereços, e a Análise profunda, com modelo de linguagem, vem desligada por padrão. Os resultados são combinados e as duplicatas, removidas. Um nome da página 1 é marcado também na página 4, e um filtro descarta o ruído.

Depois, uma pessoa revisa e aceita as detecções. Um arquivo com regiões protegidas só é baixado depois dessa verificação. Se você clicar em Baixar antes, o aplicativo explica o que falta e abre a revisão. Verificar grava os códigos no Registro de códigos.

Codificar troca cada valor por um código reversível. Já publicamos, em sete idiomas, que um valor recebia o mesmo código na biblioteca inteira, e isso era falso. Cada pasta tem seus próprios códigos, e só um código fixado manualmente vale de forma global. Decodificar é uma chamada local, sem serviço intermediário.

O selo “100% offline” vale para o desktop, e o modo desconectado existe só no plano Pro. O aplicativo gratuito no navegador envia um sinal anônimo de abertura, mas o documento não sai do seu computador. A API auto-hospedada revalida a licença a cada seis horas, com cache de no máximo três dias, e não tem modo desconectado. A Análise profunda em modo remoto envia o texto ao serviço configurado.

O que o promptShield não faz

Ele não varre um grande repositório de dados nem inventaria milhões de registros: para isso, um DLP na nuvem é a escolha certa. Não substitui um programa de governança nem faz a ocultação por você, porque alguém da sua equipe revisa. Para um documento sensível por trimestre, a revisão manual numa ferramenta que remova o texto de verdade continua resolvendo. E não promete achar cada identificador, por isso a revisão é obrigatória.

Perguntas frequentes

De qual estratégia de proteção de dados eu preciso?

Depende da sua pergunta: governança para papéis e bases legais, DLP para acervos grandes, ocultação terceirizada para volumes que superam a equipe. Para documentos que alguém vai assinar e enviar, serve uma ferramenta local com revisão humana. Muitas empresas precisam de mais de uma.

Por que é tão difícil comparar essas ferramentas?

Porque cada categoria mede o resultado conforme a pergunta que responde. Governança mostra registros, DLP mostra taxas de detecção, a ocultação terceirizada mostra prazo e uma ferramenta local mostra o que uma pessoa aprovou em cada arquivo.

Para quem o promptShield não serve?

Para quem precisa varrer bancos de dados em escala, quer terceirizar a ocultação sem revisão interna ou procura um sistema de gestão da adequação à LGPD. Também não serve a quem quer dispensar a revisão humana.

Uma alta taxa de detecção basta para cumprir a LGPD?

Nenhuma ferramenta cumpre a lei por você. Para um documento específico, você demonstra quem revisou, o que foi aceito e quando.

No fim, alguém assina

Quando um documento com dados de um cliente sai da empresa, alguém precisa saber o que havia nele e o que foi retirado. Quem responde é uma pessoa que olhou, aprovou e deixou registrado. É para ela que fazemos o promptShield.

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